A Bola Resiste ao coaching esportivo

A Bola Resiste ao coaching esportivo

Matéria publicada no jornal Correio Braziliense no dia 09 de Agosto de 2014 pelo repórter Felipe Seffrin
Caderno Superesportes • Futebol Brasileiro

Na Contramão de nomes consagrados como Michael Jordan, Tiger Woods e Roger Federer, times resistem ao coaching esportivo, uma ferramenta que continua na moda e poderia ter auxiliado a Seleção na Copa.

A Bola Resiste

São Paulo—Nem sempre a psicologia é capaz de transformar as lágrimas de um Seleção Brasileira aos prantos depois de uma vitória no limite sobre o Chile, nas oitavas de final de uma Copa disputada dentro de casa, em força mental para os desafios seguintes.

Uma nova ferramenta com bons resultados principalmente com atletas olímpicos tenta conquistar um novo campo, principalmente depois do fracasso no Mundial de 2014, com os vexames de 7 x 1 diante da Alemanha e 3 x 0 contra a Holanda.

Você já ouviu falar em coaching esportivo? A metodologia criada na década de 1970 pelo então treinador de tênis norte-americano, Timothy Gallwey, visa ao desenvolvimento mental de atletas e pessoas comuns.

Se, no exterior, clubes tradicionais e ídolos como Michael Jordan, Roger Federer e Tiger Woods jamais abriram mão do suporte de coaches ao lado dos treinadores tradicionais, por aqui a prática ainda encontra barreiras, principalmente no futebol. Mas, (bem) aos poucos os times brasileiros abrem suas portas para essa ciência que promete turbinar desempenhos.

Um dos principais nomes do país na área é Lulinha Tavares, cofundador da Sociedade Brasileira de Coaching Esportivo.

Em meados de 2009, contratado pelo Fluminense a pedido do treinador Cuca, ele foi um dos responsáveis por ajudar o elenco a contrariar as estatísticas e a fugir do rebaixamento iminente.

Em seis anos, Lulinha trabalhou com mais de 20 clubes e 100 atletas, como Luis Fabiano, Léo Moura, Aloísio e Renato Abreu, além dos treinadores Jorginho e Adilson Batista.

“O coaching possibilita que o atleta melhore seu nível de concentração, se conheça melhor e se prepare mentalmente para exercer sua atividade”, destaca Lulinha.

Segundo ele, a psicologia trabalha o passado para desenvolver uma cura no presente. O coaching trabalha o presente para desenvolver a pessoa para o futuro.

“O coaching permite que o atleta exerça sua função em um nível neurológico acima”, explica Lulinha.

Apesar de ser comum no exterior nos meios esportivo e empresarial, no país a ferramenta engatinha.

“É pura falta de conhecimento dos dirigentes. Nosso futebol está ultrapassado. Os atletas são lançados sem estarem preparados para as adversidades, para superar a pressão e lidar com a fama e os próprios medos”, critica Lulinha.

Rogério Martins, presidente da Academia Brasileira de Coaching, explica como a metodologia pode ser aplicada no esporte

“O coaching é uma ciência de desenvolvimento humano onde pode-se trabalhar o lado comportamental. Muitas vezes, o atleta tem uma parte técnica apurada, mas não sabe lidar sob pressão, com a competitividade, com a fama”, afirma Rogério.

“No Brasil, temos treinadores voltados para a área técnica e não para a área mental. Mas, para você se tornar um atleta de sucesso, precisa se condicionar mentalmente”, defende.

“O coaching ainda vai crescer muito no meio esportivo. Ele é pouco explorado por aqui, mas faz a diferença.”

Esperança

O Flamengo apostou recentemente no coaching esportivo com a esperança de sair da crise. No fim de julho, o time da Gávea contratou Fernando Gonçalves, ex-diretor executivo da Traffic, para desenvolver as habilidades mentais do elenco apoiado em técnicas da psicologia, da sociologia e da neurociência.

Na Série A, no entanto, a prática ainda é novidade. Além do Flamengo, apenas Fluminense, Palmeiras e Figueirense requisitaram o apoio do coaching esportivo para seus atletas em temporadas passadas.

Coaching é realidade olímpica

Se no futebol o coaching esportivo ainda é pouco conhecido, entre os esportes olímpicos ele tem se tornado cada vez mais comum. O nadador César Cielo, a saltadora Mauren Maggi e o ex-judoca Flávio Canto, todos medalhistas olímpicos, são alguns dos atletas brasileiros de renome que adotaram o coaching como ferramenta auxiliar na conquista de objetivos.

A judoca Rafaela Silva, nome forte para as Olimpíadas de 2016, exemplifica bem a transformação do atleta. Desclassificada em Londres-2012 por um golpe ilegal, Rafaela quase abandonou o tatame. Mas, com o apoio da coaching Nell Salgado, voltou a competir e tornou-se a primeira brasileira campeã mundial de judô.

“Ela sofreu bullying, racismo, não queria mais lutar. Hoje, mudou seu comportamento psicológico como pessoa e atleta. Com o apoio do coaching, transformamos potencial em resultados”, comemora Nell

Voluntária no Instituto Reação, do ex-judoca Flávio Canto. Especialista em coaching esportivo, Nell tentou oferecer seus serviços gratuitamente a diversos clubes de futebol. Nunca conseguiu.

“Existe preconceito. Dei uma palestra para vários treinadores e percebi o descaso. Trabalho com jogadores famosos, até da Seleção, mas não posso citar nomes. Eles acham que essa informação pode prejudicá-los, ser confundida com fraqueza”, revela Nell.

O único atleta dela que não se incomoda é Willians, volante do Internacional e adepto do coaching há anos. “Os clubes de futebol são totalmente fechados”, lamenta.

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(1) Comments
  1. Bom dia,

    Aonde posso encontrar curso de coaching esportivo?

    Obrigado,
    Diego

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