Faça a escolha certa

Assuma uma direção nova para sua vida. Comprometa-se com a mudança sem pensar no que vai ficar para trás. O que está à frente importa mais.

Gisele Bortoleto (Diário da Região) – Matéria publicada em 05 de Janeiro de 2014.

Todos nós ficamos felizes quando temos opções de escolha. Pode ser no trabalho, no relacionamento ou em qualquer área da nossa vida.

Gostamos de saber que não temos um único caminho a seguir. E por isso temos de fazer escolhas diariamente.

A maioria delas é inofensiva, como “levantar ou ficar na cama mais um pouco?” “qual roupa vou usar hoje?”, “sair ou não de casa à noite?”.

Mas algumas escolhas são mais difíceis e decisivas: “mudo de emprego ou invisto mais no atual até uma promoção”?, “tenho filhos agora ou invisto na carreira?”.

Diante de uma variedade grande de caminhos a seguir, temos dificuldade para escolher e, muitas vezes, acabamos ficando paralisados. E isso coloca seriamente em risco nossa felicidade.

Existe uma força capaz de mudar qualquer parte de sua vida. E onde ela está? Como acioná-la?

Todos sabem que para obter novos resultados temos de realizar novas ações, mas devemos compreender que todas nossas ações são geradas por uma decisão: a força da decisão é a força da mudança.

“A habilidade de tomar decisões assertivas e eficazes é uma das competências mais importantes que uma pessoa pode desenvolver”, diz o coach Rogério Martins, presidente da Academia Brasileira de Coaching.

São as nossas decisões, não as condições de nossas vidas, que determinam nosso destino.

“A forma como você vive hoje é o resultado de com quem decidiu passar seu tempo, o que decidiu aprender ou não, o que decidiu acreditar, suas decisões de desistir ou persistir, suas decisões de casar, ter filhos ou não, suas decisões sobre o que comer, suas decisões de fumar ou beber, suas decisões sobre quem é e do que é capaz”, complementa Martins.

Todos esse fatores controlaram e orientaram sua vida. Se queremos de fato mudar nossas vidas, temos de tomar algumas decisões novas sobre o que representamos e o que queremos.

“Nossas escolhas sempre são fundamentadas por um ganho, uma motivação”, diz Alexandre Caprio, psicólogo cognitivo-comportamental.

Ele explica que diante de escolhas mais complexas devemos considerar o que queremos de melhor para nós e não o que os outros querem que façamos.

Como passamos a vida toda tomando decisões, muita gente não percebe que o momento da escolha é muitas vezes também de ansiedade. Para reduzi-la, deve haver preparo e um real empenho do indivíduo.

“Por isso, nossas escolhas devem ser pautadas em nossa motivação. O comprometimento e a dedicação verdadeira nos direcionam com tranquilidade dentro do caminho escolhido, sem que fiquemos nos cobrando e nos censurando por não haver empenho na nossa meta”, diz Caprio.

Mas ele nos tranquiliza: a renúncia nunca é completa. Sempre renunciamos em prol de algo. A troca sempre deve nos trazer um benefício maior.

O que ocorre é que muitas vezes renunciamos a um ganho imediato para um bem maior que virá.

Escolha o irreversível

O psicólogo norte-americano Barry Schwartz dedicou grande parte dos seus estudos para analisar a capacidade humana de decidir em meio a muitas alternativas.

“Quando há muitas opções, você passa a ser responsável pelo que acontece com você”, afirma Schwartz.

Segundo ele, um passo importante é não criar grandes expectativas sobre o resultado. Ser otimista é bom, mas você não deve depositar toda a esperança do mundo em seus projetos.

“Expectativas muito elevadas acabam gerando frustrações maiores ainda”, explica o norte-americano.

Optar por decisões que sejam irreversíveis é um passo importante para adotar a escolha certa, segundo ele. Diante de uma série de oportunidades, às vezes, optamos por deixá-las todas em aberto.

“Mas isso faz com que você não se jogue verdadeiramente em nenhuma delas”, diz.

Não fique na corda bamba. A possibilidade de mudança atrai o ser humano e o confunde.

Por isso, tomar decisões em que você não pode voltar atrás é uma boa pedida – até porque, segundo a pesquisa de Schwartz, as pessoas se conformam mais rápido com situações imutáveis e, a partir disso, fica mais fácil alcançar a felicidade.

Outro passo é não prestar atenção no que os outros fazem ou dizem. Isso porque as pessoas são diferentes umas das outras.

Carma

A vidente Marina Gold explica que, embora sempre nos esforcemos para fazer a melhor escolha, o carma sempre está paralelo a elas. Não podemos nos esquecer que muitas das nossas escolhas, que às vezes achamos conscientes, estão atreladas a um carma da evolução, a alguma coisa que deveria ter se resolvido no passado e não se resolveu.

Muitas vezes, decidimos inconscientemente para que problemas do passado se resolvam da melhor forma possível.

“Nesse caso, você nunca poderia ter feito uma escolha diferente porque você a faz não só determinado pela vontade, pela dificuldade, pelo momento ou pela necessidade, mas por heranças de situações que, se não tiverem se resolvido, ainda terão de se resolver”, explica.

E quando escolhemos, nunca sabemos o que está realmente envolvido.

“Não podemos achar que a escolha é isenta e que tem a ver apenas com o momento atual”, explica.

Especialistas ensinam como tomar as decisões certas

Coloque no papel os prós e os contras

Se você está confuso e não sabe qual o melhor caminho a seguir, coloque os prós e os contras de cada situação num papel. Isso vai ajudar você a tomar a decisão mais sensata.

O critério de escolha não é o que tiver mais pontos a favor. Às vezes, um “contra” pode valer mais do que vários “prós”.

“Esse exercício serve para desconfundir”, diz a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu, especialista em análise transacional.

Quando você coloca a decisão a ser tomada num papel, consegue um mapeamento da situação.

“O raciocínio lógico vai ficando descontaminado e a decisão a ser tomada se torna mais clara”, diz

Veja se sua decisão o realiza

Pergunte-se: “minha decisão me realiza, me dá prazer ou gera algum tipo de aprovação que me faz sentir aceito, aliviado?”

As pessoas confundem a sensação de aprovação e aceitação com realização pessoal. Não é a mesma coisa.

“Conheço sujeitos que procuraram atender as expectativas da mulher, do pai ou da mãe, alterando drasticamente seus sonhos, e agora se descobrem doentes, hipertensos, compulsivos, ansiosos ou deprimidos”, diz o psicólogo Alexandre Caprio.

Sufocar os sonhos é morrer asfixiado, lenta e dolorosamente. Somos únicos, temos aptidões únicas e um incrível diferencial para oferecer aos outros. Descobrir nossas verdadeiras paixões e caminhar na direção delas é a verdadeira chave para a felicidade.

“O resto é desperdício de talento”.

Tome a decisão concreta

A única maneira de mudar sua vida é tomar uma decisão concreta.

“Uma decisão concreta significa que você corta qualquer outra possibilidade além da que decidiu converter em realidade”, diz o coach Rogério Martins, presidente da Academia Brasileira de Coaching.

O escritor e palestrante motivacional norte-americano Anthony Robbins tem uma frase:

“É nos momentos de decisão que seu destino é traçado.”

Não é o que está acontecendo agora ou que lhe aconteceu no passado que determina quem você se torna.

Ao contrário, são suas decisões sobre o que vai focalizar, o que as coisas significam para você e o que vai fazer a respeito que determinarão seu destino.

Clareza sobre o que precisa decidir

Tenha conhecimento da causa. Ter clareza antes de decidir é a primeira coisa. Sem ela, não é possível fazer uma boa avaliação.

“Escolha o que é melhor para o seu sossego, o caminho que for melhor para você lidar com ele”, diz a vidente Marina Gold.

Por mais que você precise escolher, é preciso ter clareza de onde você vem. É preciso tentar descobrir em algumas situações porque estamos em uma determinada encruzilhada, o que pode estar motivando esse momento de escolha nesse momento.

“Será que tem algo a mais que eu tenho que intuir e tentar decifrar com minha sensibilidade?”

questione-se. Aí terá condições de decidir.